Sobre La La Land

Não sou fã de musicais. Até hoje só havia assistido ao Moulin Rouge e confesso que tinha gostado. Gostado como gosto de muitos filmes que assisti e não mais tornei a ver. Porém… assisti a La la Land… E ainda não sei o que, ou melhor, como falar deste filme.

Sempre assisto aos filmes indicados ao Oscar para acompanhar a premiação com uma opinião formada sobre os filmes concorrentes -nem sempre consigo assistir a todos, mas tento, e este ano, atrasada, comecei por La la Land.
Ele foi o meu escolhido não só por que tem 14 indicações para o Oscar, mas também por ter Emma Stone e Ryan Gosling interpretando papéis diferentes do que costumamos vê-los interpretando. Minha ideia era ver o filme com um olhar crítico, mas logo na primeira cena esqueci qual era minha ideia.
O filme apresenta uma fotografia incrível, trilha sonora incrível e atuações lindas. Só isso já faz com que a gente perca um pouco da criticidade inicial, mas o roteiro… Bem, quando a história começa a se desenrolar, saindo do clichê (muscial e Hollywoodiano), não tem mente romântica que não entre na história e se perca em tanta beleza. A história é repleta de beleza sincera, graça, verdade e tudo isso “embalado” pela trilha sonora ótima e pela fantasia que ela carrega, fazendo com que a gente se perca sorrindo em toda alegoria que as canções representam e constroem.
E para os que pensam “aí que saco esses filmes românticos”, La la Land foge do tradicional e dos “corações derramando pela tela” pela bela construção dos conflitos reais que ele traz, nos colocando para pensar sobre nossos sonhos, vontades, egoísmos e sentimentos verdadeiros e, talvez, isso seja o mais belo desse filme.
Então, ainda marejaa pelas emoções que o filme trouxe e refletindo sobre o que ele nos faz refletir, digo que: assistam. Pelas indicações, pela beleza, pela realidade, pela reflexão. Se dêem este presente. O coração e a mente de vocês certamente vão agradecer, assim como fez a minha. 🙂

Reflexões do hoje para o amanhã

A gente pensa muito no futuro. Talvez tanto que nem consigamos viver no presente, vivemos com o corpo no presente, mas a cabeça lá no futuro. A alma lá no futuro. E com isso, penso: vivemos o presente?

Certamente temos que pensar no que seremos lá na frente, em como viveremos, o que queremos ter, como queremos estar, com quem queremos estar… Priorizar metas para alcançá-las é um impulso de vida e dá sentido para o presente. Mas… E o presente? O que é o nosso presente?

Será que as pessoas esqueceram que se não houver presente, não vai haver futuro? Que se eu não viver o hoje, cativar o hoje, valorizar o hoje, não vai haver o por quê do amanhã? Que se não enxergarmos o que é que temos à nossa volta, quem temos, o que acontece, o que deixa de acontecer, o que deixamos de viver, de sentir, de reparar, de dar atenção… se não enxergarmos o hoje, não há sentido em pensarmos no amanhã?

A verdade é que é difícil mediar isso – o hoje e o amanhã, mas não é impossível. É preciso fazer um exercício de consciência sobre o que realmente queremos ter amanhã, quem realmente queremos ao nosso lado amanhã, para saber o que não podemos deixar de fazer hoje, para fazermos sentido amanhã. É preciso sentir, “pensar” com o coração no que queremos para não perder o hoje em função de um amanhã que, por falta de presença no presente, pode nem acontecer. Difícil? Parece ser. Mas não é impossível. E normalmente só enxergamos que estamos falhando quando o presente fica vazio, quando perdemos “parte do futuro” e temos que “cair ” no presente para achar um novo “futuro”. Porém não precisamos afetar tantas vidas agora para que as coisas dêem certo lá na frente, não é? Precisamos é tirar um momento para a gente, analisar o que estamos vivendo hoje, quem estamos valorizando hoje, quem está nos valorizando hoje, pensar no que queremos, como queremos, com quem queremos e hoje, no presente, fazer o presente acontecer. Viver o presente, sem descuidar do futuro, mas viver: amar, rir, trabalhar, não fazer nada, planejar, replanejar, viajar, abraçar, cuidar, errar, desculpar, acertar, surpreender, sorrir, fazer sorrir… Assim, quando o futuro chegar, ele terá sentido, conteúdo, razão, motivo para ser vivido. Afinal, não há futuro se não estivermos vivos (e vivido) no presente.

Sexta-feira…

Enfim sexta-feira, depois de uma noite intercalada entre o sono e a insônia , esta que já foi amiga e parceira para a criatividade, ultimamente aparece apenas para “alimentar as caraminholas da cabeça” e fazer com que a imaginação não produza nada de útil, além de temor e desconfiança.

Mas… enfim é sexta-feira e você pensa e repensa mil vezes antes de levantar da cama, se realmente deve abandonar o conforto das cobertas quentinhas, apesar da noite mal dormida, para encarar um dia de trabalho estressante e, infelizmente, como há muito, sem um retorno gratificante.

Mas você levanta, se ajeitar, se organiza e sai para mais um dia de trabalho, que poderia ser o último da semana, mas não é, pois há um sábado cheio esperando – o que não é nada animador. Com cabeça vazia (ou cheia demais) escuta um som estranho enquanto dirige e…pneu furado. Que sorte, não? Não. E olha que nem é sexta-feira 13. É apenas dia 1°. O primeiro dia do mês do seu aniversário (meu, no caso), dia que, na noite anterior, antes de dormir (pelo menos enquanto pensava que dormiria a noite inteira) você pensou que seria positivo. Você planejou que seria. Que seriao começo da mudança de tudo que desandoh até agora, nenes ano que você também planejou e pensou que seria top.

E aí, enquanto você espera o serviço ser feito no seu carro – na verdade, a borracharia ainda nem abriu, você reflete sobre tudo isso que está acontecendo na vida, sobre todas as caraminholas que a insônia colocou na sua cabeça, sobre a confusão que sua cabeça e sua vida está, sobre esses imprevistos que te deixam amarrada e sem ação, obrigando você fazer duas coisas que menos gosta no mundo (esperar e se atrasar) e conclui que isso deve ser uma dica da vida dizendo “Desacelera, filha! Tu não pode dominar, nem resolver, nem saber de tudo. Deixa eu te mostrar que por mais errado que as coisas aconteçam, chega uma hora que tudo dá certo.” Okay vida. Estou tentando acreditar nisso. No fundo, eu sei que acredito nisso. Juro que vou pensar menos (o que significa fantasiar menos coisas que não me agregam) e agir mais. Vou continuar sendo otimista e fazendo de tudo para que este mês seja melhor e o que resta de ano dar certo como imaginei. Porém te peço, encarecidamente, não judia, tá? Pega leve por que as cicatrizes ainda ardem por aqui.

 

Do fundo do poço

Eu quero escrever. Todos os dias penso um novo texto, o escrevo, o desenho na minha cabeça. Corrijo e reescrevo esse texto, porém, ele nunca vem parar aqui.
Todo dia, quando isso acontece, quando mais uma noite eu deito na cama com o texto preso, se debatendo na minha cabeça, pedindo para sair, eu me frustro. Me culpo. Me vejo sendo xingada pela Elizabeth Gilbert que prega e reafirma que o segredo de saber escrever e fazer dar certo é “fazer isso diariamente”, mesmo que doa, que sangre. Mas eu não tenho feito isso. Eu me perdi, me escondi, me afundei na realidade. Na tristeza da realidade, na vida real. Na tristeza da vida dolorosa, sofrida, dura. Eu me deixei prender pelas mazelas do dia a dia, da dor das coisas que não dão certo, das decepções, dos fracassos, das expectativas não superadas. Eu deixei que o medo da decepção do dia seguinte me sufocasse, me afundasse, me jogasse ao fundo do mar da comodidade e prendesse todas minhas ideias ali, no nada.
Eu sei que estou errada. Que estou criando uma “bola de neve” de decepções e frustrações. Que estou deixando a dureza da realidade triste e decepcionante corroer minha criatividade, meus hobbies, minhas alegrias e com isso, desse jeito, ajudo a realidade a me afundar mais um pouquinho no “mar do nada”, repleto de “peixes-frustrações” e “peixes-tristes” nadando ao meu redor. Eu sei. Infelizmente eu sei.

Porém… estou aqui, sangrando meus dedos, meus pensamentos e meu coração para reconhecer tudo isso. Reconhecer a tristeza, a frustração, o medo da falta de perspectiva de sair desse “oceano escuro da realidade”, a dor de escantear os hobbies que me salvavam a alma da tristeza, o vazio que a realidade plantou em mim, a falta de alegrias que a profissão me dá, as cores que essa triste (queria ter dito palavrões aqui) realidade roubou, o desgosto com a situação do país, o asco que o governo do estado (também conhecido como “meu chafe”) me desperta… E a lista de coisas escuras poderia ser maior, mas quem for ler isso não merece ler mais tristezas. Eu sei que, na verdade, nem merecia ler isso e por isso peço desculpas pelo desabafo. Pela justificativa de ausência em forma de desabafo. Mas preciso dizer que entrar aqui e escrever é também um um passo para sair do “buraco da inatividade”. É um corte no elo da corrente que me ancorou lá no fundo do oceano escuro. Nem sei bem como vou resolver metade dos problemas que me levaram até lá, só sei que, depois de romper esse elo, vou me obrigar a aprender a nadar para emergir e respirar. E sorrir. E colorir o cenário que perdeu as cores. E voltar ao que me faz feliz.

Prece da (para) noite

Algumas vezes penso que as pessoas que mais nos sabotam, que mais sabotam nossa felicidade, somos nós mesmos.
Não sei se nos testamos ou se não sabemos lidar com a felicidade (talvez por estarmos afastada dela por tanto tempo), mas a questão é que quando a felicidade está conosco, damos um jeito de nos sabotarmos…
E por que isso?! Teste da vida? Do além? Medo de ser feliz? Medo de perder a felicidade?
Eu não sei. Só sei que hoje vou dormir pedindo a Deus que me permita continuar sendo feliz e que, caso eu tenha sabotado a mim mesma, me ensine a crescer e a aprender a aceitar a felicidade. Me ensine a aceitar o amor e a não teme-lo. Por favor, me permita (e me ensine) a saber ser feliz.

Elizabeth Gilbert e sua Grande Magia

Sou fã da Elizabeth Gilbert. Nunca escondi minha admiração por ela como pessoa e como escritora. Há alguns meses ela lançou mais um livro, este intitulado Big Magic, Grande Magia aqui na nossa terrinha. Obviamente fiquei enlouquecida para tê-lo em mãos e apreciá-lo. Confesso que nem pesquisei muito sobe o livro, apenas aguardei que fosse traduzido para o português para comprá-lo e, assim o fiz quando aconteceu.

Quando entrei na livraria e dei de cara com aquela capa colorida linda, passei a mão no livro e o trouxe para a casa, porém, quando li sobre o que se tratava, fiquei com um pé atrás…

Quem conhece Elizabeth Gilbert sabe que, além de escrever lindamente sobre fatos vivenciados por ela, escreve lindamente ficção. Porém a ideia de Grande Magia é falar sobre criatividade… Sobre como ser criativo sem medo e sem se distanciar da criatividade que temos. Quando se olha para a descrição da capa, parece ser um livro de autoajuda – o que me deixou com o “pé atrás”, mas aí, quando você começa a ler o livro, você descobre que…realmente é um livro de autoajuda. Para ela mesma.

Em Grande Magia ela discorre sobre sua experiência com a escrita. Sobre sua vida de insistência no amor pela escrita. Sobre saber reconhecer a criatividade quando ela chega, sobre não temer quando ela, a criatividade, resolve tirar férias… Sobre confiar no amor pelo que se gosta de fazer e, acima de tudo, sobre nunca desistir daquilo que se quer. Só que ela não fala assim, diretamente, ela conta experiências dela, de amigos, de gente reconhecida internacionalmente. Ela te envolve e te prova que ser criativo, que não esconder sua criatividade na gaveta é o melhor caminho para ser feliz, para dar fluidez à vida, para fazer as coisas acontecerem. Ela fala sobre a criatividade como se escreve para convencer a ela mesma a persistir, como se estivesse relembrando sua própria história para não desistir de seguir em frente com suas paixões e, com isso, te convence e incentiva a fazer o mesmo.

“Portanto, faça aquilo que o estimula. Siga suas fascinações, obsessões e compulsões. Confie nelas. Crie aquilo que faz seu coração bater mais forte. O resto virá por si só.” 

Nesse livro maravilhoso a autora nos coloca para pensar no quanto é importante fazermos algo por amor, algo que nos tire da mesmice, do “lugar-comum”, do automático. E não para que sejamos famosos mundialmente, mas para que sejamos feliz plenamente, o que é, de fato, muito mais importante.

Um livro que todos deveriam ler (na verdade, eu penso que todos os livros dela deveriam ser lidos por todos), pois todos devem saber que somos mais do que representamos e desempenhamos em nossos papéis diários e temos a obrigação de fazermos aquilo que nos faz sorrir o coração para sermos de fato felizes.

“Qualquer movimento é melhor do que a inércia, pois a inspiração sempre será atraída para o movimento.”

 

Devaneios pós-leitura

Cada vez que termino de ler um livro passo por um processo profundo de absorção. Eu ia dizer luto, mas não é bem isso…
Passo por um processo de reflexão e absorção de tudo que foi lido.
Não interessa se o livro foi um novo romance de um autor “da moda”, um belo clássico da literatura ou um livro técnico, seja qual for a leitura findada sempre me fará passar por alguns momentos ” high”, nos quais ficarei degustando cada frase lida e cada mensagem passada.
Sim, por que não interessa o tipo de leitura que praticamos, algo sempre ficará, seja uma reflexão sobre a vida, sobre nós mesmos, sobre a sociedade, sobre a humanidade ou sobre a bela porcaria que dedicamos tempo para ler (fico feliz que esta última alternativa seja rara em minha vida!). Somo feitos das experiências que vivemos, dos acertos e dos erros que cometemos e certamente, muito certamente, das leituras que fazemos.
Sei que, vindo de uma amante da literatura, isso parece clichê… E de fato é. Porém, quantas vezes passamos “por cima” dos clichês da vida sem nos darmos conta do quanto os clichês fazem sentido?
Então pensemos: somos o resultado de uma coleção de experiências de vida, somos resultados do que escolhermos marcar nossas vidas, das marcas que escolhemos deixar em nossas vidas, logo somos resultado das marcas que as leituras, os livros, fazem em nossas vidas. E juro que não é “papo de profe”, mas a literatura pode nos ensinar tanto quanto as experiências da vida. (Até por que uma leitura é uma experiência de vida.)
Não importa que tipo de livro (ou texto, ou ensaio, ou poema, ou artigo, etc) caia em nossas mãos, a questão é que sempre haverá um trechinho dessa leitura que vai penetrar nosso inconsciente e deixar lá sua marquinha. Talvez consigamos perceber isso no momento da leitura, talvez demore anos para lembrarmos do que foi lido e este (trechinho) fazer sentido, mas é certo que em algum momento de nossas vidas isso fará uma diferença positiva em nós.
Aí, com esse raciocínio (talvez nada lógico) isso tudo e mais o livro que acabei de ler (sobre ele escrevo depois), me pego pensando nas pessoas que raramente lêem… Quanta dificuldade em entender alguns fatos da vida (da própria vida) elas podem ter pela falta da leitura, não é? Talvez aquele anúncio de rua que recebeu uma ” virada de cara” pode estar fazendo muita falta agora… Aquele rodapé do livro da faculdade que parecia não fazer sentido com o conteúdo técnico e passou “batido”, aquela música que você nunca prestou atenção na letra…que falta isso pode estar fazendo agora… E aquele livro recebido de aniversário guardado na estante e nunca aberto, quanta reflexão presa lá que agora faz falta para decidir aquele impassezinho da vida?
Se estou certa quanto isso? Não sei. Não faço ideia. Quem sou eu (além de amante das palavras) para estar certa de alguma coisa?
Só sei que a cada leitura terminada, a cada processo de absorção de ensinamento pós-livro, me arrependo cada vez mais das coisas que não li. Sabe-se lá quantos acertos na vida deixei presos em livros pela desculpa que dei para não ler o que caiu diante de mim…?
Enfim, reflexões pós-leitura…
E já nem é mais hora de devaneios! Então voltarei ao delicioso e doloroso momento de desprendimento e despedida do último livro para pensar um pouquinho mais na mensagem que ele me deixou. 😉